O produtor rural Flávio Faedo cresceu no campo e iniciou sua trajetória produtiva ainda jovem, no norte do Rio Grande do Sul. Filho de agricultores, teve sua primeira experiência marcante aos 19 anos, em Passo Fundo (região norte do Rio Grande do Sul), quando participou de uma das iniciativas pioneiras de plantio direto no Estado.

Em 1985, Faedo mudou-se para Goiás, onde passou a produzir grãos em uma região de forte expansão agrícola. Inicialmente, adotou o sistema convencional, seguindo o padrão dos produtores locais. No entanto, problemas de erosão agravados por chuvas intensas e ventos fortes durante a seca chamaram sua atenção. “Mesmo em áreas relativamente planas, havia erosão laminar e, entre julho e setembro, nuvens de poeira levavam a camada mais fina do solo. Aquilo me incomodava”, recorda.
Essa inquietação o levou a testar alternativas e, em 1989, implantou o plantio direto — uma prática considerada visionária para a região na época. O sistema foi estabelecido sobre a vegetação espontânea, desafiando a crença comum de que a técnica não funcionaria no Cerrado. “Diziam que não daria certo aqui porque não tínhamos as coberturas do Sul, como trigo e aveia. “Aqui era só um plantio por ano”, lembra. Apesar do ceticismo, ele testou o sistema em 80 hectares. “Foi um plantio feito no mato mesmo, com plantas espontâneas. Mas funcionou”, conta.
Com o tempo, a conservação do solo, a redução da erosão e o aumento da matéria orgânica confirmaram a viabilidade do modelo, e a experiência tornou-se referência para outros agricultores, abrindo caminho para a expansão do plantio direto no sudoeste goiano. “Hoje temos áreas com níveis de matéria orgânica entre 3,3% e 4%, resultado de muitos anos mantendo o solo coberto e preservando sua estrutura”, afirma Faedo.
Atualmente, a produção conduzida pela família Faedo, já com a participação dos filhos na gestão do negócio, ocupa cerca de 6.500 hectares distribuídos entre os municípios de Rio Verde, Doverlândia e Diorama. A base do sistema produtivo é a sucessão soja e milho, com semeadura da soja entre o final de setembro e o início de outubro, seguida pelo milho na segunda safra. Em anos favoráveis, a produtividade do milho pode chegar a 150 ou até 180 sacas por hectare.
A manutenção do plantio direto permite não apenas a viabilidade da segunda safra, mas também a formação de uma expressiva quantidade de palhada no solo. Enquanto a cultura do milho pode deixar cerca de 14 toneladas de palhada por hectare, a soja contribui com aproximadamente quatro toneladas. Em áreas específicas, o produtor também utiliza braquiária, crotalária e misturas de plantas de cobertura para ampliar a diversidade biológica e favorecer a ciclagem de nutrientes.
Ao longo do tempo, o sistema produtivo na fazenda passou por diversas transformações e a busca constante por inovação e práticas sustentáveis deu origem às primeiras experiências com os Remineralizadores de Solo (REM). Durante aproximadamente sete anos, Faedo comparou áreas adubadas com fertilizantes convencionais e áreas manejadas com REM, e os resultados iniciais foram acompanhados de perto, com medição de índices de produtividade, análise de solo e desenvolvimento das plantas.
Os primeiros anos de uso de REM trouxeram resultados positivos, especialmente em relação à resistência hídrica e à melhoria em alguns nutrientes do solo. “Em períodos de seca, as áreas com pó de rocha produziram mais. O silício presente nos minerais formadores das rochas utilizadas ajuda o solo a perder menos água e, também, contribui para a resistência a doenças, uma vez que o silício fortalece a estrutura das plantas, tornando-as mais resistentes”, explica Faedo.
Apesar desses resultados, o produtor enfrentou alguns desafios, tais como a queda nos níveis de potássio no solo após alguns anos usando pós de rocha, situação que ele atribui, em parte, à falta de regulamentação dos insumos utilizados na época (a legislação foi regulamentada somente em 2016 com a IN 05/2016). Ele sugere que este problema também deve ter ocorrido devido à ausência de um manejo biológico mais intenso para favorecer a liberação dos nutrientes a partir das rochas.
A partir das observações, Faedo conta que foram sendo efetuados ajustes no sistema produtivo, onde se deu mais atenção ao equilíbrio entre os Remineralizadores de Solo, a matéria orgânica e os bioinsumos, estratégia que passou a orientar os novos ciclos de experimentação na propriedade. “Percebi que o potássio do pó de rocha precisa de um sistema biológico ativo para ser disponibilizado com mais eficiência”, afirma. Essa compreensão do sistema permitiu que fosse intensificado o uso de produtos biológicos, o que resultou em investimentos na produção própria (on farm), de bioinsumos na fazenda.
Ele afirma que essa estratégia tem contribuído para reduzir custos de produção. Atualmente, o manejo inclui a aplicação de microrganismos no sulco de plantio, além do uso de fungos e bactérias em aplicações foliares ao longo do ciclo das culturas, o que tem contribuído para o controle de pragas e doenças do solo, como nematoides e percevejos, e a redução da dependência de defensivos químicos.
O produtor é categórico em afirmar que, com o uso de Remineralizadores de Solo, também foi observada a melhoria na composição nutricional dos grãos. As análises realizadas com a cultura do milho, por exemplo, indicaram maiores teores de ferro, magnésio e manganês, além de incremento no peso de grãos, confirmando resultados de diversas pesquisas realizadas no Brasil. “Todos os nutrientes apareceram em níveis mais altos nas áreas com pó de rocha. É um resultado que ainda precisa ser melhor valorizado pelo mercado”, avalia Faedo.
“Eu vejo os Remineralizadores de Solo como um insumo fundamental para o futuro da agricultura, principalmente pelo aspecto que ele ajuda na sanidade das plantas e contribui efetivamente para a manutenção da umidade do solo nos períodos de veranicos, ou mesmo durante o período de secas, comuns no agroecossistema do Cerrado. Nesse aspecto, ele garante que observou uma produtividade maior. “No nosso caso, verificamos que alcançamos cerca de 15 sacos de milho a mais por hectare, nas áreas adubadas com REM.” Para ele, mesmo com desafios a serem superados, como a questão da logística de distribuição e o avanço das pesquisas, as oportunidades são ainda maiores, principalmente pela contribuição dos REM para a sustentabilidade da produção e qualidade nutricional dos alimentos. E isto a custos menores. Ou seja: os custos de produção são menores e a produção é maior.
Após décadas de experimentação e aprendizado no campo, a trajetória de Flávio Faedo mostra que a construção de sistemas produtivos mais equilibrados é resultado de observação, inovação e persistência. Para ele, o futuro da agricultura passa justamente pela integração entre manejo do solo, bioinsumos e Remineralizadores de Solo, um caminho que começa no solo, mas que se reflete na qualidade dos alimentos produzidos e no futuro da agricultura.
