Cerrado Mineiro – Grupo Veloso integra Remineralizadores de Solo à produção de café

A história do café no Cerrado Mineiro é marcada por pioneirismo e pela capacidade de adaptação dos produtores às características da região. Em Carmo do Paranaíba, a trajetória da família Veloso, produtora de cafés especiais, começou na década de 1970, com uma área de pouco mais de 20 hectares e evoluiu para uma produção de cerca de 4 mil hectares cultivados. A evolução da área tem sido acompanhada de perto pelas transformações tecnológicas e agronômicas da cafeicultura brasileira.

O cultivo de café do Grupo teve início com o produtor Paulo Veloso dos Santos, que decidiu apostar na cultura em um momento em que praticamente não havia tradição cafeeira consolidada na região. A lavoura começou em um cenário marcado por limitações de tecnologia e conhecimento técnico específico para aquele ambiente e exigiu persistência e aprendizado constante para evoluir.

Segundo Haroldo Veloso, filho do fundador e um dos gestores da empresa, o desenvolvimento do negócio se deu trocando experiências com outros agricultores da região e, nessa troca, foram adaptando as técnicas de plantio. “O início foi muito difícil. Era tudo muito novo, desde o controle de doenças até as práticas de manejo. A gente aprendia muito na base do teste e da troca de experiência com outros produtores”, recorda.

Ao longo das décadas, com mais informação e inovação técnica, o sistema de produção evoluiu. Durante muito tempo, a nutrição das lavouras baseou-se principalmente na adubação química. No entanto, há cerca de vinte anos, os produtores começaram a buscar alternativas que contribuíssem para a saúde do solo e para uma produção mais equilibrada no longo prazo. “Começamos a olhar com mais atenção para práticas regenerativas e para soluções que permitissem reduzir o uso de insumos químicos, pensando no longo prazo”, afirma Haroldo. Esse movimento levou à adoção de práticas como a compostagem de resíduos agrícolas e, mais recentemente, o uso de Remineralizadores de Solo (REM).

O uso combinado de compostagem e REM começou a ser adotado na fazenda há cerca de dez anos e passou a integrar o sistema de manejo nutricional das lavouras. Resíduos como palha de café, de cana e esterco são utilizados na produção de compostos orgânicos, que passam por um processo de compostagem antes de serem aplicados nas lavouras. Nesse processo, os Remineralizadores de Solo são incorporados ao material orgânico, enriquecendo o composto e contribuindo para a melhoria da fertilidade do solo. Ainda que os fertilizantes convencionais ainda continuem presentes, a propriedade tem buscado ampliar gradualmente a área de produção para práticas que contribuam para a melhoria da qualidade do solo, com sustentabilidade ambiental.

Segundo Haroldo Veloso, esse processo também envolve desafios técnicos e operacionais. A avaliação dos resultados exige acompanhamento ao longo de vários anos, já que culturas perenes como o café respondem de forma mais gradativa às mudanças no manejo do solo. “Ainda precisamos medir melhor os resultados porque, no café, muitas vezes o efeito aparece no médio e longo prazo, não de um ano para o outro. Por isso é importante intensificar as pesquisas e fazer avaliações ao longo do tempo. Mas nossa intenção é seguir ampliando as técnicas da agricultura regenerativa, e o uso dos Remineralizadores de Solo faz parte disso”, explica.


Safra Zero – Em uma fase produtiva importante, os REM têm função de destaque na cultura do Grupo Veloso. Em partes da lavoura, especialmente as mais antigas, após um ano de produção, é realizada uma poda drástica e ela não produz no ano seguinte, com o objetivo de renovar a planta e evitar perda de produção futura. Nesse período conhecido como “safra zero”, o uso de Remineralizadores de Solo é ampliado e pode representar mais de 50% do total de fertilizantes, substituindo grande parte do NPK e outros aditivos.

“Dependendo do momento da lavoura, esses insumos passam a ser ainda mais importantes para a nutrição do solo e das plantas porque, mais do que nunca, o manejo precisa ser equilibrado e nenhum insumo pode ser usado em excesso ou em quantidade insuficiente”, observa Haroldo.

Com vistas para o futuro, o Grupo Veloso acompanha outras inovações que vêm ganhando espaço na agricultura, como os bioinsumos, que, embora ainda estejam sendo utilizados em menor escala na propriedade, a expectativa é que seu uso se amplie nos próximos anos, acompanhando a evolução da regulamentação e das pesquisas nessa área.

Como grande parte da produção da família Veloso é destinada ao mercado externo, o grupo entende que o reconhecimento internacional reforça a importância de práticas agrícolas que preservem a fertilidade do solo e garantam a sustentabilidade da produção no longo prazo. E, para Haroldo Veloso, o futuro da cafeicultura passa justamente por esse equilíbrio entre produtividade, inovação tecnológica e cuidado com o solo.

Mais de cinquenta anos depois do início da história, a cafeicultura continua sendo o eixo central da atividade da família. Hoje, já com a participação da terceira geração, o grupo mantém o espírito pioneiro que marcou o início da trajetória, apostando em novas tecnologias e práticas agrícolas capazes de garantir a vitalidade das lavouras e a qualidade dos cafés produzidos no Cerrado Mineiro.

Compartilhe:

Seções